
Amélia do 3º Milênio
Vilma Duarte
As incendiárias de sutiãs que me perdoem, mas ser hoje a mulher-padrão, doutrinada pelas exigências e ainda moderna, bonita, malhada, ativa e liberada é uma barra.
Poetas e escritores também.
Para rimar mulher com mãe, esposa, amante, dona de casa, profissional e outros tantos, haja tutano para adivinhar a métrica de compor odes e elegias à exaltada, com casamento de versos ricos e felizes.
O endeusamento de “Rainha do Lar” ficou nos altares românticos dos séculos de antanho.
Cá pra nós. As sinhazinhas tinham um vidão.
Mucamas, amas-de-leite, serviçais à disposição, mordomia de tempo integral.
E que amores...
Entre suspiros, espartilhos e minuetos, os homens caíam-lhes de quatro, morrendo por um vislumbre de tornozelo, fantasiando curvas escondidas e a maciez de seios idolatrados.
Vida mansa e sem protesto.
Agora, popozudas e siliconadas fazem o show de peladismo ostensivo e clonado à exaustão.
E na oferta e demanda?
Taí, o censo com cara escandalosamente feminina. Acidentes de trânsito, de trabalho, prisões e envolvimento com drogas, matam homens sem perdão.
Se ainda fosse pouco, os sobreviventes têm dado um basta com valentia, às chatices das usurpadoras dos seus espaços e um chega-pra-lá, nas imposições dos relacionamentos.
Elas cobram, questionam, somam cálculos a favor, e mesmo sem levar a melhor, fá-los encolher a sanha de conquistadores.
Muitos, esgotados, emparelham-se satisfeitos com os da própria tribo, engrossando o fenômeno social que já a chama a atenção.
Mulher versus mulher, é um jogo e tanto. Salve-se quem puder dos passes sutis nos dribles camuflados.
Mulher é bicho complicado. Esposa, mãe, sozinha, acompanhada, executiva ou gari, se é verdadeiramente mulher, tem lá, no fundo do peito um cantinho de “Complexo de Cinderela.” Quer amor, flores, atenção...
Erra, acerta, cria filhos machões como as avós, apesar dos arroubos da vez, tudo em nome de ser mulher.
Conquistas, conquistou e pleonasmo é coisa de ser mulher. Amplia à foice o seu espaço, contabiliza valor ainda com muitos débitos, acumulando trabalho e mais trabalho, em montanhas pra escalar.
Amarga ciclos, influências da lua, descargas hormonais madrastas, sogras possessivas, filhos absorventes, homens pegando no pé, é da sina da mulher.
Independentes e liberadas tiram par ou ímpar, entre a liberdade tediosa ou a solidão escolhida.
No entanto, generalizar é pecado contra a natureza da mulher. Cada caso é um caso, respeite-se o cada um.
Ser mulher: de eme a erre.
Com gosto pelas batalhas, sem fraqueza e omissão. Mulher de despertar amores e inspirar poemas. Missão só dela. Desafio e prêmio na posição de vencedora no pódio da fórmula complicada de viver.
Com o muito que a gente quer e não tem, ou tem, mas não sabe se quer, amo a boa de...
SER MULHER.
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